quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

As Legiões Manipulares da República Romana - 2ª Parte



Já citei os soldados com os quais o Povo Romano constituía suas legiões, agora de forma - como sempre - reduzida os esboçarei:

Vélites: As linhas de infantaria ligeira eram formadas pelos indivíduos mais pobres da população romana, que não podiam arcar com a panóplia regulamentar da infantaria; daí a designação velites = “ligeiros”; não carregavam muito peso; eram geralmente jovens e não se esperava que mantivessem terreno; eram usados no início do combate quando arremessavam seus projéteis nas linhas inimigas, retirando-se depois para a retaguarda da formação onde aguardavam e se necessário - ao fim da batalha - ajudavam a perseguir o inimigo em retirada.

Equipamento: Túnica simples; sandálias; dois ou mais dardos e uma adaga; às vezes levavam também pedras e/ou fundas (arma pessoal para arremesso de pequenas pedras/projéteis).

Hastati: Infantaria pesada formada pelos jovens cidadãos na Legião Manipular; eram os primeiros da infantaria regular a enfrentar o inimigo, engajando-se a curta distância: arremessavam seus dardos, sacavam a espada e geralmente esperavam a carga inimiga, se ela não viesse e o inimigo relutasse em aproximar-se para o combate corpo-a-corpo, avançavam em uma corrida curta preservando porém as linhas; eram a primeira onda de choque que os comandantes romanos lançavam contra os inimigos; se após alguns minutos de batalha a linha inimiga não quebrasse ou os romanos estivessem levando a pior, a segunda linha avançava e intervinha na refrega.

Equipamento: Túnica tingida; sandálias; grevas de bronze ou ferro (protegem a parte inferior das pernas), capacete de Bronze com protetores de rosto laterais; placa de peito que protegia apenas à área frontal do coração e pulmões; escudo oblongo de madeira reforçado com ferro que protegia o torso; lança; espada curta e adaga.

Príncipes: Infantaria pesada formada pelos homens com idade em torno dos 30 e poucos anos e em condições de manter um equipamento mais elaborado; geralmente tinham alguma experiência anterior como Hastati e formavam a segunda linha da Legião, intervinham quando os Hastati não colocavam o inimigo em fuga, avançando e engajando-se no combate corpo-a-corpo com suas espadas.

Equipamento: Equipamento similar ao dos Hastati, sendo as diferenças apenas o uso de lorigas de malha de ferro para proteção de todo o torso e a qualidade de suas roupas e armas, muitas vezes mais refinadas que a dos primeiros.

Triari: Eram os veteranos da Legião, formavam a terceira linha, aguardando o desenrolar do combate com um joelho no chão; eram tradicionalmente considerados o último recurso na batalha e seus integrantes quase sempre tinham mais de 40 anos de idade. Muitos deles vinham das ordens anteriores e portanto eram extremamente experimentados e “eficientes” no combate. Esperava-se que mantivessem o terreno a todo custo.

Equipamento: Como o dos príncipes com uma lança mais longa – similar ao dos hoplitas gregos contemporâneos.

Éqüites: A cavalaria romana nas Legiões manipulares não era numerosa e era formada essencialmente por cavalaria ligeira, vinda da “classe média” romana, cujo nome - éqüite - é sinônimo de cavaleiro. Era formada pelos que tinham condição de manter um cavalo além do equipamento básico. Era usada em patrulhas; lançada contra a cavalaria inimiga antes e/ou durante a batalha, e, quando com liberdade de movimentos pela ausência de cavalaria inimiga ou obstáculos naturais, circundava as linhas e atacavam pelos flancos ou retaguarda. Quando a vitória sorria aos romanos, perseguia, ainda, os inimigos em fuga.

Equipamento: Túnica tingida; capacete de bronze ou ferro; sandálias; calças curtas de lã; loriga de malha de ferro; escudo de madeira reforçado com ferro; Lança; espada longa; e adaga.
Obs: O cavalo não tinha armadura e não eram usados estribos; ao invés disso as selas romanas tinham quatro apoios que ao sentar prendiam o cavaleiro pelo alto das pernas.

Marcus James

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