Quincux e o Triplex acies
A legião manipular era essencialmente designada para as batalhas campais. Sua organização peculiar permitia-lhe apenas uma formação, o Triplex acies com três linhas de infantaria pesada apoiando uma a outra para exercer a maior pressão possível sobre a linha inimiga. Os manípulos eram unidades entre 120 e 160 homens cada para os hastati e principes e 60 homens para os triarii e eram distribuídos pelo campo em quincux (forma de tabuleiro de xadrez). Entre dez e doze unidades de hastati; de principes e de triarii formavam uma legião e normalmente entre duas e quatro legiões formavam um exército; devidamente acompanhado por vários milhares de vélites, que eram infantaria ligeira e escaramuçadores, formados pelas classes menos favorecidas da sociedade romana.
Quando o exército encontrava-se próximo ao inimigo, as legiões marchavam em três colunas paralelas, os hastati à esquerda, os principes no centro e os triarii à direita. Para posicionar o exército em formação de batalha essas colunas giravam à direita para formar o dispositivo Triplex acies. Cada manípulo precisava posicionar-se cuidadosamente em relação aos manípulos vizinhos em sua própria linha e em relação aos manípulos nas outras linhas para assegurar que a linha de frente do exército fosse apropriadamente coberta e apoiada. Mesmo quando o exército estava acampado a poucos quilômetros do inimigo ele ainda assim marchava em três colunas até uma distância de 1,5 quilômetros ou menos da posição inimiga e somente então no ponto em que encontrava-se no flanco esquerdo girava a direita e assumia a formação do Triplex acies de frente para o inimigo. Era um processo demorado, mesmo para um exército bem treinado e experiente; a coluna inteira precisava parar e esperar até que cada unidade posicionasse-se de forma conveniente antes que pudesse mover-se novamente. Posicionar um exército formado por Legiões manipulares levava horas e requeria supervisão constante dos Tribunos. Se o inimigo ameaçava atacar o posicionamento do exército era coberto pela cavalaria formada pela “classe média alta” romana – os Éqüites, apoiada dependendo da gravidade da ameaça por unidades de velites ou extraordinarii - que eram destacamentos de escolta. Na maioria das vezes, entretanto, o inimigo estava ocupado demais formando as próprias linhas para representar uma real ameaça...
* Este é o primeiro texto referente a série em que pretendo explicar com alguns detalhes o funcionamento das Legiões Romanas. Era mister começar pela LEGIÃO MANIPULAR, uma vez que foi com tal dispositivo militar que Romanos enfrentaram os Cartagineses e esmagaram os remanescentes Reinos Helenísticos depositários das conquistas de Alexandre o Grande.
Marcus James
A legião manipular era essencialmente designada para as batalhas campais. Sua organização peculiar permitia-lhe apenas uma formação, o Triplex acies com três linhas de infantaria pesada apoiando uma a outra para exercer a maior pressão possível sobre a linha inimiga. Os manípulos eram unidades entre 120 e 160 homens cada para os hastati e principes e 60 homens para os triarii e eram distribuídos pelo campo em quincux (forma de tabuleiro de xadrez). Entre dez e doze unidades de hastati; de principes e de triarii formavam uma legião e normalmente entre duas e quatro legiões formavam um exército; devidamente acompanhado por vários milhares de vélites, que eram infantaria ligeira e escaramuçadores, formados pelas classes menos favorecidas da sociedade romana.
Quando o exército encontrava-se próximo ao inimigo, as legiões marchavam em três colunas paralelas, os hastati à esquerda, os principes no centro e os triarii à direita. Para posicionar o exército em formação de batalha essas colunas giravam à direita para formar o dispositivo Triplex acies. Cada manípulo precisava posicionar-se cuidadosamente em relação aos manípulos vizinhos em sua própria linha e em relação aos manípulos nas outras linhas para assegurar que a linha de frente do exército fosse apropriadamente coberta e apoiada. Mesmo quando o exército estava acampado a poucos quilômetros do inimigo ele ainda assim marchava em três colunas até uma distância de 1,5 quilômetros ou menos da posição inimiga e somente então no ponto em que encontrava-se no flanco esquerdo girava a direita e assumia a formação do Triplex acies de frente para o inimigo. Era um processo demorado, mesmo para um exército bem treinado e experiente; a coluna inteira precisava parar e esperar até que cada unidade posicionasse-se de forma conveniente antes que pudesse mover-se novamente. Posicionar um exército formado por Legiões manipulares levava horas e requeria supervisão constante dos Tribunos. Se o inimigo ameaçava atacar o posicionamento do exército era coberto pela cavalaria formada pela “classe média alta” romana – os Éqüites, apoiada dependendo da gravidade da ameaça por unidades de velites ou extraordinarii - que eram destacamentos de escolta. Na maioria das vezes, entretanto, o inimigo estava ocupado demais formando as próprias linhas para representar uma real ameaça...
* Este é o primeiro texto referente a série em que pretendo explicar com alguns detalhes o funcionamento das Legiões Romanas. Era mister começar pela LEGIÃO MANIPULAR, uma vez que foi com tal dispositivo militar que Romanos enfrentaram os Cartagineses e esmagaram os remanescentes Reinos Helenísticos depositários das conquistas de Alexandre o Grande.
Marcus James
Muito bom artigo. Digno de uma revista de história...
ResponderExcluirNum exercício de viagem no tempo, vamos imaginar uma horda de cavaleiros hunos contra esse exército bem na hora da formação...seria um desastre. Mas eram outros tempos e a organização, equipamento e treinamento das armas romanas sempre foram superiores.
COMO, pela graça dos Deuses uma Horda de cavaleiros Hunos se aproximaria tão de sopetão de um Exército Romano com o treinamento e a prontidão tipica dos Romanos nessa época?
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