sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A nova "Guerra do Paraguai"


Após a eleição do presidente Fernando Lugo, que usou como plataforma de campanha uma hipotética influência imperialista por parte do Brasil, reacendeu-se no povo paraguaio um adormecido nacionalismo Guarani, desde então temos visto uma sucessão de eventos preocupantes por parte de nossos vizinhos.

Tudo começou pelas declarações de revisão do valor da tarifa da energia de Itaipú vendida ao Brasil, tarifa que aliás consta em contrato assinado pelo Paraguai, passando pela questão dos brasiguaios (produtores brasileiros que vivem no paraguai, muitos com cidadania e com família paraguaias), continuando por manifestações com queima da bandeira brasileira e ameaças os direitos civis dos brasiguaios, até chegar num perigoso jogo que tenta denunciar as forças armadas brasileiras como invasoras do território paraguaio, no recente exercício que o Exército Brasileiro realizou na fronteira.


Coincidência ou não esse tardio resgate nacionalista do orgulho do povo paraguaio, coincide com a abertura de uma base militar americana e o estabelecimento de um escritório da CIA nesse país, com a ativação da 4º frota e com um processo eleitoral democrático no Paraguai, país que vem de uma tradição de conturbada política, e que os agentes da CIA podem muito bem ter tirado proveito para colocar alguém "suscetível" apoioado pela política externa da Casa Branca.



Tudo isso tem como pano de fundo uma disputa pelo controle de uma área estratégica e vital para a América do Sul: A tríplice fronteira. Tríplice fronteira que já foi acusada sem bases sólidas pela mesma CIA de ser uma região que financia o terrorismo e que tem a maior usina hidroelétrica do mundo, Itaipú, vital para o funcionamento do maior país da América Latina, o nosso Brasil. Brasil que aliás, acaba de descobrir grandes reservas de petróleo, reservas que podem credenciar-nos como um membro da OPEP, e sabe-se que ter dois membros do cartel dos produtores de petróleo tão perto de casa não seria algo de bom pra política externa da Casa Branca, já que os EUA são bem dependentes desse recurso. Essa incômoda dependência do petróleo é o calcanhar de Aquiles da política externa americana, já que o cartel da OPEP controla os preços, a produção e a distribuição do petróleo e nos parece que a capacidade de influência americana nos países do cartel, salvo a Arábia Saudita, sempre foi praticamente nula.



Vamos ver até onde vai a vontade americana através de seus títeres paraguaios, influenciados em seu redescoberto orgulho nacionalista contra os "imperialistas brasileiros" de controlar ou influenciar essa região, tentando fortalecer seu domínio estratégico da América do Sul, potencialmente ameaçado pela parceria Hugo Chaves/Governo Russo com sua base para bombardeiros estratégicos e pela parceria estratégica que se desenha entre Brasil e França, inclusive com os aviões franceses cotados pra reaparelhar a FAB, além da possibilidade do Brasil de tornar um dos grandes produtores de petróleo e membro da OPEP.



E vamos dar um viva aos militares que, apesar da fraca e covarde política de defesa, mostra que quem manda aqui é o Brasil, e torcer para que nosso governo endureça nas relações exteriores para não deixar ser solapada por agentes externos nossa influência na região.



Alex Hammoud

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