quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Desafio da Selva

Os problemas que o Exército Brasileiro enfrenta para garantir a segurança e integridade de nosso território nas Regiões mais valiosas e inexplicavelmente (??????) menos desenvolvidas de nossa PÁTRIA, podem ser vislumbradas nesse texto que transcrevo abaixo:

"1- O Desafio da selva

A Selva Amazônica contém cerca de um terço das florestas tropicais do planeta. É um verdadeiro "Oceano de árvores". vasto e perigoso. Ela é tão gigantesca na realidade, que cruzá-la equivale atravessar o Oceano Atlântico entre a África e o Continente Americano.
A extensa e densa floresta Amazônica é dotada de gigantesca malha hidrográfica, deficiente rede rodoviária, elevados índices de umidade, pluviosidade e risco constante de enfermidades tropicais, constituindo-se no principal óbice às operações logísticas, quer em operações, quer no apoio prestado às Organizações Militares sediadas na área. Não existe na face da terra nenhuma região tão inóspita e assustadora quanto a Selva Tropical.
A 8ª Região Militar (8ª RM) possui uma área de responsabilidade logística de mais de 1.500.000 Km2, o que representa, aproximadamente, 18% do território nacional. Nesse verdadeiro desafio de suprir suas Organicações Militares (OM) subordinadas, são empregados meios da Força Aérea Brasileira (FAB), além de balsas e viaturas orgânicas do 8º Depósito de Suprimento (8º D Sup).
As adversidades do ambiente influem diretamente no desempenho do homem e do material. A deteriorização dos itens de suprimento é uma ameaça constante e real que demanda a tomada de medidas especiais de preservação, tais como a realização de expurgos periódicos nos gêneros alimentícios, a climatização de depósitos e armazéns e a manutenção preventiva dos artigos estocados.
Além desses, outros desafios foram vencidos pela 8ª RM no ano 1997, a fim de proporcionar o apoio necessário às OM sob sua responsabilidade, tais como:
- criação do Hospital da Guarnição de Marabá, inaugurado em outubro de 1997;
- obtenção, distribuição e instalação de sete gabinetes odontológicos para as OM;
- reaparelhamento de consultórios médicos;
- obtenção e distribuição de dois módulos de embarcações táticas para o 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS – Belém) e o 52º Batalhão de Infantaria de Selva (52º BIS – Marabá-PA);
- instalação de uma rampa, a fim de facilitar o carregamento e descarregamento, na Embarcação Logística e Flutuante Codajás;
- racionalização da distribuição de cotas de combustível às OM, proporcionando economia e permitindo o suprimento de gasolina até abril e óleo diesel até março de 1998;
- redução do índice de indisponibilidade de viaturas, por meio da utilização de verbas procedentes da Diretoria de Transportes;
- fosfatização de 1.880 armas das OM regionais no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, com emprego das aeronaves da FAB para o transporte;
- confecção de ração operacional alternativa, utilizando itens de alimentação existentes no comércio, com grande economia e excelente aceitação pela tropa nas manobras no Estreito de Breves e no Estado do Amapá;
- aumento da capacidade de estocagem das câmaras frias das OM mais distantes de Belém; e
- a utilização de aeronaves C-130 do Plano de Apoio Amazônico, para transportar suprimentos, e do C-95 do convênio com a FAB, para transportar equipes do Parque Regional de Manutenção/8 (Pq R Mnt/8), Hospital Geral de Belém (HGeBe) e Comissão Regional de Obras/8 (CRO/8), assim como realizar eventuais evacuações, de modo a atender toda a área de responsabilidade da 8ª RM.
2- O isolamento
Na área da 8ª RM, os mais importantes adensamentos populacionais estão nas margens das principais estradas e rios: Imperatriz (MA), Marabá, Altamira, Itaituba e Santarém, no Pará.
As condições climáticas, a precariedade das estradas, particularmente a Transamazônica, e as grandes distâncias fluviais a serem vencidas, tornam esse isolamento uma dificuldade a mais para a realização do apoio logístico.
3- Grandes distâncias
A infra-estrutura viária privilegia, tradicionalmente, os meios fluviais, os quais se apresentam como os mais viáveis para o apoio logístico às tropas de Macapá, Santarém, Itaituba e Altamira, aproveitando-se das rotas da rede hidroviária da Bacia Amazônica.
Suprir a tropa aquartelada no Oiapoque (AP) é um desafio especial. A atividade pode ser realizada por via marítima, subindo-se depois o rio de mesmo nome, ou, como atualmente é feita, pela combinação da via fluvial até Macapá, com a via terrestre de 620 Km através da BR-156, que liga aquela capital à cidade do Oiapoque, ou, ainda, por via aérea.
As estradas do sul do Pará, em teoria, viabilizariam qualquer apoio às tropas posicionadas ao longo da rodovia Transamazônica, ou seja, Marabá, Altamira e Itaituba. No entanto, a sua precariedade de tráfego nos períodos de chuvas dificulta sobremaneira o apoio logístico para essas duas últimas cidades, sendo necessário o emprego de meios fluviais do 8º D Sup e/ou aeronaves da FAB para o transporte dos suprimentos.
4- As Limitações dos meios de comunicações e de transportes
As comunicações em ambiente de selva sofrem efeitos das condições meteorológicas, tais como, chuvas torrenciais, umidade, calor e limitações proporcionadas pela escassez de estradas, pouca visibilidade pelo terreno ondulado em algumas áreas e pela vegetação densa.
No entanto, a 8ª RM teve a oportunidade de testar, com sucesso, alguns equipamentos de comunicações durante a "Operação Breves" e a "Operação Amapá", realizadas no final do ano de 1997.
Foram utilizados os seguintes equipamentos: TW 7.000; gerador solar de energia; gerador portátil; central telefônica automática; manipuladores telegráficos; conjunto rádio EB-11 ERC 131/TPX720, para ligação terra - avião, mantendo contato com aeronave militar a 50 Km de distância, estando a mesma a 1.000 pés de altitude; TW 2.000 (veicular); KENWOOD com LAPTOP ou DESKTOP; integração rádio-fio (IRF); e utilização da estação-rádio de Breves para a transmissão de mensagens pré-estabelecidas.
A questão dos meios de transportes a ser utilizados nos deslocamentos de grande envergadura está intimamente ligada ao isolamento das unidades a ser apoiadas, ao volume do material a transportar e a rapidez que se deseja. Pode-se afirmar que a malha fluvial da Amazônia Oriental atende as necessidades de vias de acesso de grande porte para a realização do apoio logístico. No entanto, apesar de ser significativa, a malha rodoviária é de baixa qualidade, particularmente nas BR-230 e 156, durante os meses chuvosos.
Com isso, cresce de importância a manutenção das viaturas, o emprego das balsas e da FAB, para que o apoio logístico possa sempre chegar à ponta da linha.
5- Apoio às populações civis e indígena
O Exército, por intermédio de suas organizações militares (OM) distribuídas ao longo das fronteiras, dos principais rios e das rodovias, presta apoio fundamental a comunidades civis e indígenas.
A 8ª Região Militar auxilia essa atividade, proporcionando condições de funcionamento aos hospitais de guarnição e aos postos de saúde, tanto em pessoal como em equipamentos e medicamentos.
Com a participação da Região, as OM têm condições de prestar apoio realizando diversas operações do tipo Ação Cívico Social (ACISO) e campanhas conjuntas com as Prefeituras das diversas cidades, em atendimentos especializados no campo de saúde médica, odontológica e laboratorial, com o objetivo de elevar o espírito comunitário entre o Exército e a comunidade municipal.
Estas atividades são bastante comuns, particularmente, nas Organizações Militares mais isoladas como, Santarém, Itaituba, Altamira e Clevelândia do Norte."

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