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quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

SPETSNAZ - Os Comandos de Elite Russos

Insígnias de algumas unidades Spetsnaz



Os Spetsnaz ou Spetsialnovo naznatchênia ou Spetsnaz, na tradução literal do russo quer dizer “Forças Especiais”, esse é o termo genérico utilizado pelos russos para designar quaisquer forças especiais ou unidade de elite do mundo. Nós do ocidente designamos os Spetsnaz como o nome próprio de uma tropa de elite russa, o que na prática não é bem assim, já que há vários Spetsnaz ou forças especiais diferentes servindo na Rússia.

Podemos designar como Spetsnaz as tropas de elite controlados pelo FSB (Serviço de Segurança Federal / antiga KGB), pelo MVD (Ministério do Interior com poderes de policía), e pelo GRU (Inteligência Militar), esses últimos controlados pelas Forças Armadas russas. As unidades Spetsnaz contradas pela antiga KGB / atual FSB são designadas como OSNAZ ou Osobovo Naznatchênia, que significa destacamentos especiais.

O treinamento das Spetsnaz russas está entre os mais severos do mundo, não estranho foi constatar que em alguns Jogos Olímpicos, e em outras disputas esportivas realizadas durante o período da Guerra Fria, foram identificados membros Spetsnaz competindo como atletas, dado seu alto nível de preparação e exigência física. Não é preciso salientar que o processo de seleção é muito rigoroso e muitos não chegam a completar o treinamento que basicamente vai desde de artes marciais, aliás os Spetsnaz são exímios lutadores com sistema próprio de treinamento marcial, passando por armamentos diversos (inclusive armamentos estrangeiros), até a treinamentos mais específicos como infiltração em território inimigo, sabotagem, explosivos, paraquedismo, mergulho, entre outros.

Embora sejam na maioria unidades separadas há algum intercâmbio de pessoal entre as unidades, tanto para difundir técnicas e experiências, como para melhoria individual no nível de treinamento desses operativos. O treinamento dura em média 5 anos.

De acordo com fontes não oficiais, estima-se que durante a guerra fria, a antiga URSS contava com mais de 30.000 Spetsnaz divididos entre 20 Brigadas e 41 Companhias distintas.


Falaremos mais sobre os Spetsnaz em outras oportunidades


Alex Hammoud

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Importância da Logística - Exemplo em nossa própria história













Logística! Ciência importantíssima para os exércitos;

No passado os Generais-de-cadeira e/ou amadores das Guerras sazonais, não atinham com sua importância falando - muitas vezes - sem propriedade em "Tática" e "Estratégia", sem considera-la;

Creio não ser conveniente e suficientemente ressaltada a importância da matéria, então publico uma descrição falha e sucinta; muitíssimo resumida da conhecida "Retirada de Laguna" evento militar eternizado na Literatura nacional, esperando exemplificar suficientemente, até como um preâmbulo para mais profundas inserções futuras, a questão:

"A chamada Retirada da Laguna foi um episódio da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870) imortalizado na Literatura pela pena de um de seus protagonistas, o futuro visconde de Taunay.
Após a apreensão da Canhoneira Amambaí da Marinha do Brasil, no rio Paraguai, e da invasão da então Província do Mato Grosso pelas forças do Exército Paraguaio em dezembro de 1864, declarada a guerra, uma das primeiras reações brasileiras foi a de enviar um contingente militar terrestre para combater os invasores em Mato Grosso.
Desse modo, em abril de 1865, uma coluna partiu do Rio de Janeiro, sob o comando do coronel Manuel Pedro Drago, recebendo reforços em Uberaba, na então Província de Minas Gerais, percorrendo mais de dois mil quilômetros por terra até alcançar Coxim, na Província do Mato Grosso, em dezembro desse mesmo ano, que encontrou abandonada.
O mesmo se repetiu ao alcançarem Miranda, em setembro de 1866.
Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, então reduzida a 1.680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Por demais distante das linhas brasileiras, e sem víveres para o sustento da tropa, afetada pela cólera, o tifo, e pelo beribéri, a coluna do Exército Brasileiro foi forçada a retirar sob os constantes ataques da cavalaria paraguaia, que utilizaram táticas de guerrilha à moda indígena, inflingindo perdas severas aos brasileiros.
De um efetivo de cerca de 3.000 homens, retornaram às linhas brasileiras em Coxim, em junho de 1868 apenas 700 homens, alquebrados pela doença e pela fome."

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No penultimo páragrafo do texto, salta às vistas a insensatez da penetração em território inimigo sem conhecimento prévio do ambiente operacional: Hostil as operações de infantaria.

Se tivessem sido tomadas as medidas necessárias para manter e sustentar de forma coerente a tropa e por consequinte ter preservadas, inclusive, as linhas de suprimento, não teriam sido perdidos tantos soldados sem qualquer vantagem a não ser o ensejo e inspiração à verve literária do Visconde.

Muito poderia ser dito ainda, e muito mais material poderia ser adicionado a esta simples ocorrência no escopo maior da Guerra em questão, mas não sem onerar a atenção dos eventuais leitores, portanto, encerro por ora.

Marcus James

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As Legiões Manipulares da República Romana (Séculos III a.c. à II a.c.) – 1ª parte




Quincux e o Triplex acies

A legião manipular era essencialmente designada para as batalhas campais. Sua organização peculiar permitia-lhe apenas uma formação, o Triplex acies com três linhas de infantaria pesada apoiando uma a outra para exercer a maior pressão possível sobre a linha inimiga. Os manípulos eram unidades entre 120 e 160 homens cada para os hastati e principes e 60 homens para os triarii e eram distribuídos pelo campo em quincux (forma de tabuleiro de xadrez). Entre dez e doze unidades de hastati; de principes e de triarii formavam uma legião e normalmente entre duas e quatro legiões formavam um exército; devidamente acompanhado por vários milhares de vélites, que eram infantaria ligeira e escaramuçadores, formados pelas classes menos favorecidas da sociedade romana.
Quando o exército encontrava-se próximo ao inimigo, as legiões marchavam em três colunas paralelas, os hastati à esquerda, os principes no centro e os triarii à direita. Para posicionar o exército em formação de batalha essas colunas giravam à direita para formar o dispositivo Triplex acies. Cada manípulo precisava posicionar-se cuidadosamente em relação aos manípulos vizinhos em sua própria linha e em relação aos manípulos nas outras linhas para assegurar que a linha de frente do exército fosse apropriadamente coberta e apoiada. Mesmo quando o exército estava acampado a poucos quilômetros do inimigo ele ainda assim marchava em três colunas até uma distância de 1,5 quilômetros ou menos da posição inimiga e somente então no ponto em que encontrava-se no flanco esquerdo girava a direita e assumia a formação do Triplex acies de frente para o inimigo. Era um processo demorado, mesmo para um exército bem treinado e experiente; a coluna inteira precisava parar e esperar até que cada unidade posicionasse-se de forma conveniente antes que pudesse mover-se novamente. Posicionar um exército formado por Legiões manipulares levava horas e requeria supervisão constante dos Tribunos. Se o inimigo ameaçava atacar o posicionamento do exército era coberto pela cavalaria formada pela “classe média alta” romana – os Éqüites, apoiada dependendo da gravidade da ameaça por unidades de velites ou extraordinarii - que eram destacamentos de escolta. Na maioria das vezes, entretanto, o inimigo estava ocupado demais formando as próprias linhas para representar uma real ameaça...

* Este é o primeiro texto referente a série em que pretendo explicar com alguns detalhes o funcionamento das Legiões Romanas. Era mister começar pela LEGIÃO MANIPULAR, uma vez que foi com tal dispositivo militar que Romanos enfrentaram os Cartagineses e esmagaram os remanescentes Reinos Helenísticos depositários das conquistas de Alexandre o Grande.

Marcus James

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O Desafio da Selva

Os problemas que o Exército Brasileiro enfrenta para garantir a segurança e integridade de nosso território nas Regiões mais valiosas e inexplicavelmente (??????) menos desenvolvidas de nossa PÁTRIA, podem ser vislumbradas nesse texto que transcrevo abaixo:

"1- O Desafio da selva

A Selva Amazônica contém cerca de um terço das florestas tropicais do planeta. É um verdadeiro "Oceano de árvores". vasto e perigoso. Ela é tão gigantesca na realidade, que cruzá-la equivale atravessar o Oceano Atlântico entre a África e o Continente Americano.
A extensa e densa floresta Amazônica é dotada de gigantesca malha hidrográfica, deficiente rede rodoviária, elevados índices de umidade, pluviosidade e risco constante de enfermidades tropicais, constituindo-se no principal óbice às operações logísticas, quer em operações, quer no apoio prestado às Organizações Militares sediadas na área. Não existe na face da terra nenhuma região tão inóspita e assustadora quanto a Selva Tropical.
A 8ª Região Militar (8ª RM) possui uma área de responsabilidade logística de mais de 1.500.000 Km2, o que representa, aproximadamente, 18% do território nacional. Nesse verdadeiro desafio de suprir suas Organicações Militares (OM) subordinadas, são empregados meios da Força Aérea Brasileira (FAB), além de balsas e viaturas orgânicas do 8º Depósito de Suprimento (8º D Sup).
As adversidades do ambiente influem diretamente no desempenho do homem e do material. A deteriorização dos itens de suprimento é uma ameaça constante e real que demanda a tomada de medidas especiais de preservação, tais como a realização de expurgos periódicos nos gêneros alimentícios, a climatização de depósitos e armazéns e a manutenção preventiva dos artigos estocados.
Além desses, outros desafios foram vencidos pela 8ª RM no ano 1997, a fim de proporcionar o apoio necessário às OM sob sua responsabilidade, tais como:
- criação do Hospital da Guarnição de Marabá, inaugurado em outubro de 1997;
- obtenção, distribuição e instalação de sete gabinetes odontológicos para as OM;
- reaparelhamento de consultórios médicos;
- obtenção e distribuição de dois módulos de embarcações táticas para o 2º Batalhão de Infantaria de Selva (2º BIS – Belém) e o 52º Batalhão de Infantaria de Selva (52º BIS – Marabá-PA);
- instalação de uma rampa, a fim de facilitar o carregamento e descarregamento, na Embarcação Logística e Flutuante Codajás;
- racionalização da distribuição de cotas de combustível às OM, proporcionando economia e permitindo o suprimento de gasolina até abril e óleo diesel até março de 1998;
- redução do índice de indisponibilidade de viaturas, por meio da utilização de verbas procedentes da Diretoria de Transportes;
- fosfatização de 1.880 armas das OM regionais no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, com emprego das aeronaves da FAB para o transporte;
- confecção de ração operacional alternativa, utilizando itens de alimentação existentes no comércio, com grande economia e excelente aceitação pela tropa nas manobras no Estreito de Breves e no Estado do Amapá;
- aumento da capacidade de estocagem das câmaras frias das OM mais distantes de Belém; e
- a utilização de aeronaves C-130 do Plano de Apoio Amazônico, para transportar suprimentos, e do C-95 do convênio com a FAB, para transportar equipes do Parque Regional de Manutenção/8 (Pq R Mnt/8), Hospital Geral de Belém (HGeBe) e Comissão Regional de Obras/8 (CRO/8), assim como realizar eventuais evacuações, de modo a atender toda a área de responsabilidade da 8ª RM.
2- O isolamento
Na área da 8ª RM, os mais importantes adensamentos populacionais estão nas margens das principais estradas e rios: Imperatriz (MA), Marabá, Altamira, Itaituba e Santarém, no Pará.
As condições climáticas, a precariedade das estradas, particularmente a Transamazônica, e as grandes distâncias fluviais a serem vencidas, tornam esse isolamento uma dificuldade a mais para a realização do apoio logístico.
3- Grandes distâncias
A infra-estrutura viária privilegia, tradicionalmente, os meios fluviais, os quais se apresentam como os mais viáveis para o apoio logístico às tropas de Macapá, Santarém, Itaituba e Altamira, aproveitando-se das rotas da rede hidroviária da Bacia Amazônica.
Suprir a tropa aquartelada no Oiapoque (AP) é um desafio especial. A atividade pode ser realizada por via marítima, subindo-se depois o rio de mesmo nome, ou, como atualmente é feita, pela combinação da via fluvial até Macapá, com a via terrestre de 620 Km através da BR-156, que liga aquela capital à cidade do Oiapoque, ou, ainda, por via aérea.
As estradas do sul do Pará, em teoria, viabilizariam qualquer apoio às tropas posicionadas ao longo da rodovia Transamazônica, ou seja, Marabá, Altamira e Itaituba. No entanto, a sua precariedade de tráfego nos períodos de chuvas dificulta sobremaneira o apoio logístico para essas duas últimas cidades, sendo necessário o emprego de meios fluviais do 8º D Sup e/ou aeronaves da FAB para o transporte dos suprimentos.
4- As Limitações dos meios de comunicações e de transportes
As comunicações em ambiente de selva sofrem efeitos das condições meteorológicas, tais como, chuvas torrenciais, umidade, calor e limitações proporcionadas pela escassez de estradas, pouca visibilidade pelo terreno ondulado em algumas áreas e pela vegetação densa.
No entanto, a 8ª RM teve a oportunidade de testar, com sucesso, alguns equipamentos de comunicações durante a "Operação Breves" e a "Operação Amapá", realizadas no final do ano de 1997.
Foram utilizados os seguintes equipamentos: TW 7.000; gerador solar de energia; gerador portátil; central telefônica automática; manipuladores telegráficos; conjunto rádio EB-11 ERC 131/TPX720, para ligação terra - avião, mantendo contato com aeronave militar a 50 Km de distância, estando a mesma a 1.000 pés de altitude; TW 2.000 (veicular); KENWOOD com LAPTOP ou DESKTOP; integração rádio-fio (IRF); e utilização da estação-rádio de Breves para a transmissão de mensagens pré-estabelecidas.
A questão dos meios de transportes a ser utilizados nos deslocamentos de grande envergadura está intimamente ligada ao isolamento das unidades a ser apoiadas, ao volume do material a transportar e a rapidez que se deseja. Pode-se afirmar que a malha fluvial da Amazônia Oriental atende as necessidades de vias de acesso de grande porte para a realização do apoio logístico. No entanto, apesar de ser significativa, a malha rodoviária é de baixa qualidade, particularmente nas BR-230 e 156, durante os meses chuvosos.
Com isso, cresce de importância a manutenção das viaturas, o emprego das balsas e da FAB, para que o apoio logístico possa sempre chegar à ponta da linha.
5- Apoio às populações civis e indígena
O Exército, por intermédio de suas organizações militares (OM) distribuídas ao longo das fronteiras, dos principais rios e das rodovias, presta apoio fundamental a comunidades civis e indígenas.
A 8ª Região Militar auxilia essa atividade, proporcionando condições de funcionamento aos hospitais de guarnição e aos postos de saúde, tanto em pessoal como em equipamentos e medicamentos.
Com a participação da Região, as OM têm condições de prestar apoio realizando diversas operações do tipo Ação Cívico Social (ACISO) e campanhas conjuntas com as Prefeituras das diversas cidades, em atendimentos especializados no campo de saúde médica, odontológica e laboratorial, com o objetivo de elevar o espírito comunitário entre o Exército e a comunidade municipal.
Estas atividades são bastante comuns, particularmente, nas Organizações Militares mais isoladas como, Santarém, Itaituba, Altamira e Clevelândia do Norte."